Cidadãos de Pombal, participaram da Colunas Prestes, há cem anos no Sertão
Paraíba
Há exatamente cem anos, em fevereiro de 1926, sete pombalenses tiveram participação direta nos acontecimentos que marcaram a passagem da Coluna Prestes pelo sertão paraibano.
Os episódios e circunstâncias que envolveram esses sete pombalenses serão apresentados com mais detalhes no livro A Marcha da Coluna Prestes pelo Estado da Paraíba: Combates, Documentos e Narrativas, que lançarei brevemente.
Em Pombal, o médico e deputado estadual Dr. José Queiroga foi o responsável pela organização a defesa do município. Ele mobilizou homens, armas e munições diante da aproximação dos revolucionários. Foi o único deles que não teve ftente a frente com os revoltosos.
Seu irmão, Manuel Queiroga, o Major Nô Queiroga, foi capturado pela Coluna quando seguia para Pombal e passou a ser conduzido como refém em direção a Curema.
Em Curema, atual cidade de Coremas, Esaú Rodrigues dos Santos, comerciante no povoado, participou do confronto contra os revolucionários. Sua casa foi cercada e ele acabou rendido. Sua esposa, Emília Maria de Alencar Rodrigues, foi atingida por um tiro no antebraço ao tentar fugir com as filhas.
Major Nô Queiroga reconheceu Esaú entre os prisioneiros. Aproveitou um momento de proximidade e, discretamente, cochichou-lhe ao ouvido que declarasse apoio a Luís Carlos Prestes e pedisse garantia de vida.
Esaú seguiu a orientação do conterrâneo e foi libertado. Emília recebeu atendimento das enfermeiras que acompanhavam a Coluna.
A marcha chegou a Piancó, onde o sargento Manuel Arruda, também pombalense, comandava um dos grupos da Força Pública encarregados da defesa da cidade.
Entre os defensores estavam ainda o padre Aristides Ferreira da Cruz e seu sobrinho José Ferreira da Cruz. Naturais de Pombal, os dois foram presos e executados após a derrota da resistência.
O saldo entre os pombalenses diretamente envolvidos foi de dois mortos e uma ferida. Os demais sobreviveram aos acontecimentos.
A passagem da Coluna Prestes deixou uma página marcante na história de Pombal. Cem anos depois, esses personagens nos ajudam a compreender como a grande marcha revolucionária alcançou o cotidiano das famílias do sertão paraibano.
Por José Tavares de Araújo Neto