Entenda as bactérias que foram divulgadas em laudo, que estavam em comida da pizzaria de Pombal

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Um laudo do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-PB) identificou alta concentração de bactérias em alimentos de uma pizzaria investigada por um surto de infecção alimentar em Pombal, no Sertão da Paraíba. Entre os microrganismos encontrados estão Staphylococcus aureus e Escherichia coli. A informação foi divulgada neste sábado (28) pelo secretário de Saúde da Paraíba, Ari Reis.


O caso é investigado após a morte de uma mulher, Rayssa Maritein Bezerra e Silva, de 40 anos, e o atendimento de mais de 100 pessoas com sintomas de intoxicação alimentar.

Ao todo, sete amostras foram analisadas, incluindo materiais biológicos de pacientes e alimentos recolhidos no estabelecimento, como pizzas, molhos e carnes. Nas amostras biológicas, não foram encontradas bactérias patogênicas. Já nos alimentos, foi identificada a presença dos microrganismos em alta concentração. Nenhuma das amostras apresentou contaminação por Salmonella.

🦠As bactérias Staphylococcus aureus e Escherichia coli são microrganismos que podem estar presentes no corpo humano e no ambiente, mas, em alimentos contaminados, podem provocar intoxicação. A ingestão pode causar sintomas como náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal e, em casos mais graves, desidratação e complicações clínicas, especialmente quando há alta concentração ou produção de toxinas.

As duas bactérias podem aparecer em diferentes tipos de alimentos, principalmente quando há falhas de higiene, armazenamento ou preparo.

🔬 Staphylococcus aureus é comum em alimentos manipulados diretamente por pessoas, já que a bactéria pode estar na pele, mãos e vias respiratórias. Costuma ser encontrada em:

Carnes e frango já preparados;

Pizzas e salgados;

Molhos e recheios (maionese, cremes);

Leite e derivados;

Alimentos que ficam fora da refrigeração por muito tempo.

🔬 Escherichia coli está associada à contaminação fecal e, por isso, aparece em alimentos ou água contaminados. Pode ser encontrada em:

Carnes cruas ou mal cozidas (especialmente carne moída);

Leite não pasteurizado;

Verduras e legumes crus mal higienizados;

Água contaminada;

Alimentos que tiveram contato com superfícies ou utensílios contaminados.

Polícia investiga se pizza de carne de sol na nata desencadeou morte de mulher e mais de 100 pessoas com sintomas de intoxicação na Paraíba — Foto: Vigilância Sanitária

Polícia investiga se pizza de carne de sol na nata desencadeou morte de mulher e mais de 100 pessoas com sintomas de intoxicação na Paraíba — Foto: Vigilância Sanitária

De acordo com a análise, a principal suspeita é de que a contaminação tenha ocorrido por falhas na manipulação dos alimentos, o que pode facilitar a proliferação de bactérias. A definição sobre qual tipo de falha no manuseio pode ter provocado a contaminação, no entanto, depende da conclusão dos demais laudos de órgãos que também investigam o caso.

Apesar dos resultados, o secretário Ari Reis afirmou que ainda não é possível relacionar diretamente a presença das bactérias à causa da morte de Rayssa Maritein. Segundo ele, os microrganismos identificados têm potencial para provocar sintomas agudos, compatíveis com os relatados pelos pacientes, o que reforça a hipótese de má manipulação dos alimentos.

“A única afirmação que podemos fazer nesse momento é que há evidências científicas de que há uma má manipulação dos alimentos na pizzaria. Não podemos atribuir a essa concentração elevada de bactérias como causa do óbito, porque precisamos que as amostras biológicas sejam analisadas para verificar toxinas dessas bactérias no sangue, principalmente na amostra desse óbito”, explicou o secretário.

O secretário informou, ainda, que o Lacen da Paraíba não realiza exames para detectar toxinas bacterianas no sangue. Por isso, a amostra será enviada para análise em um laboratório fora do estado. O prazo para conclusão do exame é de até 15 dias úteis.

O surto aconteceu entre a noite do domingo (15) e a segunda-feira (16) e causou a morte da servidora municipal Rayssa Maritein Bezerra e Silva, de 40 anos. Outras 117 pessoas que comeram na pizzaria procuraram atendimento médico com sintomas como náuseas, vômitos, diarreia e dores abdominais.

O laudo foi obtido inicialmente pela reportagem da Rádio CBN e, neste sábado (28), foi detalhado pelo secretário de Saúde da Paraíba, Ari Reis, em entrevista à TV Cabo Branco.

Procurada, a Polícia Civil da Paraíba confirmou que recebeu o resultado do Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba, mas não divulgou detalhes do conteúdo e informou que aguarda a conclusão dos demais laudos antes de se pronunciar.

A advogada do dono da pizzaria informou, em um vídeo publicado nas redes sociais, que não teve acesso aos detalhes mais aprofundados sobre o laudo e que permanece disponível para investigações.

A mulher que morreu após comer em uma pizzaria foi identificada como Raíssa Maritein Bezerra e Silva, de 44 anos. Na noite do dia 15 de março, um domingo, ela foi para o estabelecimento com o namorado comer uma pizza de carne de sol. O namorado passou por atendimento após comer o alimento, mas não teve mais problemas graves na saúde.

“Era uma pessoa alegre, simples, acolhedora. Raíssa era servidora pública, engenheira agrônoma, não tinha filhos e não era casada. (Era) divertida”, disse a prima de Raíssa, Izabele Freitas.

Segundo o Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol), exames toxicológicos ainda estão em andamento e devem ajudar a esclarecer a causa da morte. A análise inicial do corpo, de acordo com o diretor do núcleo de Cajazeiras, o perito Luiz Rustenes, não encontrou alterações características de intoxicação alimentar nos órgãos de Raíssa.

Informações com G1

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